
NOSSA HISTÓRIA
COMUNIDADE QUILOMBOLA NOSSA SENHORA APARECIDA DE CROMÍNIA GOIAS.
A Comunidade Quilombola Nossa Senhora Aparecida de Cromínia Goiás é formada por Negros descendentes de escravos, trazidos de várias regiões do Brasil, especialmente do triângulo mineiro. Os Negros foram induzidos e arrancados de suas terras quilombolas onde viviam com suas famílias. Na década de 30 fazendeiros emigraram para o estado de Goiás, aonde compraram grande quantidade de terras, na região conhecida como PLANURA VERDE, localizada no município de Santa Cruz de Goiás, hoje município de Cromínia Goiás com objetivo de desenvolver a Agricultura e a pecuária, leiteira. Para conseguir atingir seus objetivos, os fazendeiros precisavam de mão de obra boa e barata para executar o trabalho na roça e o trabalho doméstico.
O perfil de famílias que os fazendeiros interessavam era por famílias numerosas, como a do senhor, Pedro Carreiro, Jose Benedito, Jose Cândido, Olimpio e Dona Helena Moura, Zico Pé de Mulata, Maria de Lurdes e Altamiro, Antonio Bueno, João Criolo. Muitas famílias de Negros quilombolas viviam do que produziam em suas terras com suas famílias, plantavam e colhiam e viviam felizes. Os fazendeiros para convencer os Quilombolas virem para Goiás diziam a eles que em Goiás um Pé de milho ficava maior que um homem e no primeiro ano todos poderiam ficar muito ricos, na primeira colheita e comprar muitas terras. Mas, quando chegavam aqui à realidade era muito diferente, os Negros Quilombolas eram tratados muito mal, como escravos, trabalhando na derrubada do mato para fazer lavoura de arroz, milho, feijão, café e pasto para gado de leite e corte, chegando a trabalhar até 12 horas por dia, além de não serem remunerados, eram agregados, meeiros ou diaristas e as mulheres faziam o trabalho domésticos para os patrões e outras iam para a roça com os filhos ajudar os maridos.
Os fazendeiros forneciam os mantimentos para o sustento das famílias Negras para serem pago nas colheitas, porem quando chegava a época da colheitas as famílias de Negros Quilombolas continuavam devendo e não conseguiam pagar as suas contas e pegavam mais mantimentos das famílias para o sustento das família ao ponto que um pai de família trabalhar o dia todo para ganhar um litro de manteiga ou uma quarta(20 litros) de arroz com casca, que limpo no monjolo ou no pilão dá apenas 03(três litros de arroz sem casca) ,e as mulheres trabalhavam como domestica na cozinha ,lavando, passando,arrumando cuidando das crianças dos patrões em troca de resto de roupas ou comida, e quando matava, porco ou vaca era dado aos negros as carnes inferiores como bucho, tripas, pés, cabeça, pele , orelhas, paquera (língua,coração,pulmão). Quando não admitia mais a situação desumana, covarde ou porque estava doente, velho ou era expulso da fazenda sem nenhum reparo ou indenização e sem ter para a onde ir ou mesmo voltar para sua terra de onde foi iludido e arrancado com falsas promessas , ficava obrigado a levantar uma rancho de folha de buriti cercado de pau a pique ao redor do patrimônio, povoado Planura Verde, hoje Cromínia. Negros Quilombolas continua sem acesso à terra, trabalhando como diarista, sendo ainda mal remunerados e as mulheres fazendo trabalho doméstico também mal remuneradas em toca de roupas velhas e resto de comidas ,vivendo na periferia da cidade.
O índice de analfabetismo é muito grande entre a população Negra Quilombola de Cromínia, muitas crianças fora da escola, jovens não conseguem concluir o ensino médio.
O sistema de saúde ignora as doenças específicas da população Negra Quilombola como anemia falciforme. A população Negra Quilombola vive sem dignidade, marginalizada .
A Comunidade Quilombola Nossa Senhora Aparecida é formada por mais de 150 (Cento e Cinqüenta) famílias Quilombolas que tem aptidão agrícola, pecuária como cultivo de arroz, feijão ,milho, mandioca, polvilho farinha,hortaliças, criação de frangos , suínos, bovinos, peixes artesanato etc. para o sustento e geração de renda, mesmo sem acesso a credito como está garantido na Constituição Federal e Estatuto de Igualdade Racial.
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